Universo da mente

No silencio da noite, 
Ouve-se o cantar dos grilos apenas destoado pelo ruído dos carros que circulam pela noite dentro. 

Quando o cantar é tudo o que se ouve, 
Parece que são as estrelas quem falam entre elas, que há agitação na noite. 

Mas ninguém me toca, ninguém me chama. Assim instala-se o silêncio ao redor… Menos na mente. No seu seio não há silêncio ainda. Temos todo o tipo de pensamentos, uns constantes e outros que passam à velocidade da luz. 

Tenho em mim um universo. Cheio de fenómenos, de vida e de perda. Cheio de métodos sem sentido, de construção e destruição. Acontecimentos sem explicação.

Nestes momentos de silêncio estudo um pouco mais deste universo peculiar e complexo que me habita.

Aprendo sempre que nós humanos ansiamos por explicação e controlo, que ao tentar exercer sobre todo o meu universo seria uma tarefa inalcançável para mim.

Ao cativar estes silêncios posso estudar-me e perceber que pensamentos o habitam, esmiuçá-los.

Vou questionando se o conceito de vazio ao contrário de muitas definições aleatórias não se trata também de uma oportunidade. Descobrir e viver coisas diferentes, criar espaço fisico, temporal e acima de tudo interior para outros fenómenos além daqueles que já conheço.

Porque se associa o vazio a algo negativo? Porque se anseia em encher uma vida até nos esquecermos do silêncio?

Gosto de criar vazios e silêncios.
De habitar e viver, mesmo que seja num universo onde apenas possa lutar por uma sorte que não controlo.

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